sexta-feira, 25 de setembro de 2009

"LENDAS": O POEMA VENCEDOR DO 1º CONCURSO DE POESIA DA OFICINA LITERÁRIA VERSO E PROSA

Perpétua Amorim, vencedora do 1º Concurso de Poesia da Oficina Literária Verso e Prosa


A grande vencedora do 1º Concurso de Poesia da Oficina Literária Verso e Prosa foi Perpétua Conceição da Cunha Amorim, da cidade de Franca, no estado de São Paulo. O poema Lendas, que obteve o primeiro lugar geral, conquistou, além da comissão julgadora, os demais leitores e apreciadores de Literatura, presentes no evento de entrega da premiação, realizado na noite de 9 de setembro de 2009.


Parabéns, Perpétua!!!








LENDAS

Sapucaia, murici,
cana doce, amendoim,
jabuticaba tá no pé
com seu zóio arregalado
negro feito guiné
feito bolinhas de picumã
fumegando em cima de mim

Canarim no mamoeiro
Verde, amarelo, fusão
enche o papo e encanta
com seu canto feito mantra
saboreando o banquete
bolinhas, doces sementes
jabuticabinhas miúdas
feito caviar para gente.

É tempo de jabuticabas
o tronco fica pretim
moleques de outras bandas
com os seus embornais cheiiim
e os zóio arregalado
negro feito guiné
feito bolinha de picumã
insistindo em olhar para mim.


Sapucaia, picumã
tira o dedo do nariz
limpa a remela do zóio
lá na bica do jardim
cuidado com o Zagaia
bicho maldito e sem dó
que come a língua dos bois
e, depois dana a gritar de horror
correndo pelas veredas
dias e noites sem fins.

Jabuticaba, murici,
jambo, amendoim
para de olhar pra mim
tenho medo de cair
de meu jambeiro em flor
medo da noite escura
zóio da jabuticaba madura
arregalados, assim
olhos mateiros de lendas
milhares a me perseguir
destempero da infância.
Confesso! Não cresci.





Não poderíamos deixar de agradecer a todas as pessoas que tornaram este concurso possível. Com sua atenção e dedicação especial, colaboraram para tornar o Concurso de Poesia da Oficina Literária Verso e Prosa uma feliz realidade!


Agradecemos de modo especial e particular o empenho da vereadora Lindamir, que atendendo nosso pedido, mobilizou seus colegas vereadores para a colaboração financeira deste evento.
Reconhecemos e agradecemos aos seguintes colaboradores :


Vereadora Lindamir Maria Ivanoski
Vereadora Sandra Marcon
Vereador Wilson Andrade
Vereador Sergio Schmidt
Vereador Jorge Julio
Vereador Dirceu Mocelin
Vereador Celso de Souza Macedo
Vereador Darci Antonio Andreassa
Vereador Nelson Silva de Souza
Vereador Joslei Andrade
Vereador Lucir Marchiori

Também merecem nossos agradecimentos especiais:


Dr. Achiles Munaretto
Dr. Fabiano Andreassa
Atelier Fedalto & Otero
Copiadora Flash
Depil House – Depilação
À Página Distribuidora
Agradecemos, ainda, a todos os participantes, que, com seus belos poemas, mantêm viva a arte da escrita. E, desde já, deixamos o convite para participação na próxima edição.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

OFICINA LITERÁRIA VERSO E PROSA ESTÁ NO TWITTER


É com muita satisfação que anunciamos nossa chegada ao Twitter. Este será um novo espaço para discussão acerca da Literatura, em especial daquilo que a oficina estará produzindo. Nesta página nossos leitores poderão se manter informados sobre nossas atividades e outras novidades que possam ser postadas.

Se você já é usuário Twitter, pode nos acompanhar diariamente pelo site tornando-se um "seguidor", caso contrário, deixamos o convite para que nos faça uma visita.



Lembramos, ainda, o endereço de nossa comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92197026

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

VENCEDORES DO 1º CONCURSO DE POESIA DA OFICINA LITERÁRIA VERSO E PROSA


Foram inúmeras as cartas recebidas e muitos os textos de qualidade e valor. Depois da leitura detalhada de todos os poemas concorrentes, a comissão julgadora, designada pela Oficina Literária Verso e Prosa, chegou a uma decisão.

Devido ao grande número de participantes, destinamos, também, um prêmio especial a um concorrente campolarguense.

A premiação será realizada no dia 9 de setembro, a partir das 19h, na biblioteca pública de Campo Largo. Os vencedores de outras regiões serão comunicados acerca de forma alternativa da entrega do prêmio.

Os poemas premiados serão publicados em breve em nosso blog. A relação dos vencedores está, também, divulgada em nossa comunidade no Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=92197026

Parabenizamos os vencedores e agradecemos a todos aqueles que prestigiaram e tornaram possível este nosso primeiro concurso de Poesia. Contamos com a presença de todos na próxima edição.


Segue a relação dos vencedores:


1º LUGAR : “LENDAS”
Perpétua Conceição da Cunha Amorim
Franca – SP



2º LUGAR : “ABRAÇANDO A VIDA”
Marçal Ferreira de Souza
Campo Largo – PR


3º LUGAR : “ALTARES ALTERADOS”
Heloisa Galves
São Paulo – SP



MENÇÕES HONROSAS:


“OUTROS”
Ana Cecília Reis
Rio de Janeiro – RJ


“POR QUE MARIA?”
Mauro Martiniano de Oliveira
São Paulo – SP


“CAFÉ COM POESIA”
Carlos Roberto Pina de Carvalho
São Paulo – SP


“RECOMEÇO”
Rosana Banharoli
Santo André – SP


“LIBERDADE DE VERDADE’
Rosemari Aparecida Kanarski
Campo Largo – PR


“ALMA DE POETA”
Cacilda Kanarski Leal
Campo Largo – PR


“FORÇAS”
Arai Terezinha Borges dos Santos
Campo Largo - PR



PRÊMIO CAMPO LARGO

“ÚLTIMO SUSPIRO”

Abílio Machado de Lima Filho



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O POVO BRASILEIRO, DE DARCY RIBEIRO, NA VISÃO DE MYCHEL RENATO LIMA

Mychel Renato Lima disserta sobre O Povo Brasileiro


Mychel Renato Lima nos acompanha na oficina de literatura desde o começo de 2009, sua presença nos encontros nos permitiu refletir um pouco mais acerca da realidade social, econômica e política do nosso país. Seus textos são engajados e, por ora, pungentes, levando-nos a pensar sobre o que a sociedade brasileira está fazendo neste século 21. Tal estilo é reflexo de suas leituras, sempre com um tom bastante crítico.



Mychel nasceu no interior do Paraná, na cidade de Paraná do Oeste. Como ele mesmo afirma, lê tudo que lhe chega às mãos, hábito que possui desde os dez anos. Criança com poucos amigos, fez dos livros seus grandes companheiros de vida, começando pelos clássicos da literatura. Entre seus "autores fundamentais" estão Aldous Huxley, Henry Miller e Machado de Assis.



A dissertação de Lima acerca da obra O Povo Brasileiro, do autor mineiro Darcy Ribeiro, nos fez discutir questões contundentes acerca do que o Brasil enfrentou e enfrenta em termos de relações sociais, políticas e econômicas.



Ribeiro, formado em Antropologia, dedicou seus primeiros anos de vida profissional ao estudo dos índios do Pantanal, do Brasil Central e da Amazônia, entre os anos de 1946 e 1956. Dedicou-se, ainda, à educação primária e superior, criando a Universidade de Brasília, da qual foi o primeiro reitor. Foi ministro da Educação, no Gabinete Hermes Lima e, também, Ministro Chefe da Casa Civil no governo de João Goulart.



Suas idéias romperam fronteiras, em especial na obra em destaque, mostrando como se deu a miscigenação brasileira desde a colonização do país pelos portugueses. Mychel destaca alguns fragmentos de O Povo Brasileiro que merecem ser pensados e repensados:





Darcy Ribeiro (1922-1997)

A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista. Ela é que incandesce, ainda hoje, em tanta autoridade brasileira predisposta a torturar, seviciar e machucar os pobres que lhes caem às mãos. Ela, porém, provocando crescente indignação, nos dará forças, amanhã, para conter os processos e criar aqui uma sociedade solidária.




Ribeiro divide o livro em quatro partes nas quais discute, respectivamente, as etnias que iniciaram a nação (Novo Mundo), a miscigenação (Gestação Étnica), o impacto que a nação brasileira sofreu em busca de uma identidade nacional frente às guerras, industrialização, imigração e crises mundiais (Processo Sócio Cultural), os esteriótipos criados sobre as condições de vida em cada região do país (Brasis). Finalmente, "toca, corajosamente, na ferida do destino nacional: em nome da ganância de uns poucos, sacrifica-se o bem estar coletivo [...]".




Esta obra imperdível nos foi dada para ser apreciada e lentamente degustada. Pensemos a respeito: por que nunca foi lida nas escolas? Por que nunca fez parte de leitura obrigatória nas bibliotecas estudantis? Os governos desejam realmente que reflitamos a respeito? Estas questões são contundentes.


Mychel finaliza sua apresentação com uma citação de Darcy que, de fato, dispensa comentários:




Fracassei em tudo o que tentei na vida.
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui.
Tentei salvar os índios, não consegui.
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei.
Mas os fracassos são minhas vitórias.
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.


Referências:
RIBERIO, Darcy. O Povo Brasileiro. A formação e o Sentido do Brasil. São Paulo. Companhia das Letras, 2ª edição, 1995.

sábado, 15 de agosto de 2009

ENCERRAM-SE HOJE AS INSCRIÇÕES PARA O 1º CONCURSO DE POESIA CAMPOESIA 2009

Informamos que as inscrições para o 1º Concurso de Poesia Campoesia 2009 encerram-se hoje, dia 15 de agosto de 2009, data limite para entrega do material na biblioteca pública municipal de Campo Largo ou envio pelos Correios, observando-se a data pelo carimbo postal.
A seleção dos poemas será efetuada por uma Comissão Julgadora especialmente designada pela
OFICINA DE LITERATURA, integrada por 03 (três) membros com vinculação com a área literária.

Os vencedores serão comunicados pela BIBLIOTECA PÚBLICA, até dia 4 de setembro e a premiação acontecerá no dia 09 de setembro no evento do CAMPOESIA 2009, na Casa da Cultura, Rua Centenário, nº 2011, Centro, às 20 horas.

OBRAS IMPERDÍVEIS

Nós da Oficina Literária compartilhamos com nossos leitores esta excelente lista de obras imperdíveis, criada pelo professor e escritor brasileiro Gabriel Perissé, à qual tivemos acesso graças à preciosa colaboração de nossa coordenadora Eliane Andrade Krueguer.

Meus clássicos - sugestão de leitura, lista de obras que devem ser lidas
(Gabriel Perissé )

- Mortimer Adler. Como ler um livro. Agir.
(Há uma reedição pela Guanabara.)
Inspirador, vale como companheiro para qualquer leitor.

- Miguel de Cervantes. D. Quixote.
Eterno. As aventuras inesquecíveis de dois amigos tão diferentes entre si. Indicado para os sonhadores, que se tornarão mais realistas, e para os realistas, que se tornarão mais sonhadores.

- William Shakespeare. Ricardo III, Henrique V, Romeu e Julieta e Hamlet.
É difícil ler teatro. Mas com um pouco de atenção para identificar que personagens estão falando, entra-se em contato com uma poderosa força criadora.

- Sófocles. Prometeu acorrentado, Édipo-rei e Antígona.
Insubstituíveis, imperdíveis, definitivas.

- Molière. O misantropo.
Genialidade em ação.

- Jonatham Swift. As viagens de Gulliver.
Através de uma história fantástica, o autor capta características marcantes da natureza humana. Indicado para os que não gostam de advogados.

- J. R. Tolkien. O senhor dos anéis. Martins Fontes.
A imaginação em alta rotação. Para quem gosta de começar e não parar mais de ler.

- Geofrey Chaucer. Os contos da cantuária. T.A. Queiroz.
- Edgar A. Poe. Contos.
Um mestre e um monstro sagrado a ser devorado.

- Júlio Verne. A volta ao mundo em oitenta dias.
Não só esta, mas todas as obras do escritor francês incitam a imaginação.

- C.S. Lewis. O grande abismo, Os quatro amores, O problema do sofrimento. Mundo cristão.
Cada vez mais conhecido pelo público brasileiro, é considerado um dos maiores escritores da Inglaterra neste século.

- Jorge Luís Borges. O Aleph.
Contista sagaz, labiríntico, desafiante.

- Lewis Carrol. As aventuras de Alice. Summus Editorial.
Outro clássico, sem o qual o mundo parece incompleto.

- Fiodor Dostoivesky. O idiota.Um escritor atormentado.
Seus escritos parecem estar com febre, e por isso requerem leitores bem preparados.

- Leon Tolstoi. A morte de Ivan Illitch.
Emocionante história de um homem que se vê diante da doença, da solidão e da morte.


- Kafka. O castelo, Metamorfose e O processo.
Para entender quando alguém diz que este mundo tornou-se kafkiano.

- Oscar Wilde. O retrato de Dorian Gray. Abril Cultural.
O aterrorizante trajeto existencial de um homem.

- George Orwell. 1984.
Uma história que repete e prenuncia outras histórias. Para quem ama a liberdade.

- Ariano Suassuna. O auto da compadecida.
Vale a pena ler. E reler.

- Mário Palmério. Vila dos Confins e Chapadão do Bugre.
Duas obras imperdíveis, escritas com paixão.

- João Guimarães Rosa. Sagarana e Grande-sertão: veredas. Nova Fronteira.
Criador audacioso da literatura brasileira, cuja forma literária sofisticada ressuma a percepção dos dramas humanos.

- José de Alencar. Lucíola. Ática.
Um livro tipicamente romântico, em que o amor e a pureza, as paixões e os interesses mesquinhos se articulam no estilo clássico do escritor nordestino.

- José J. Veiga. A hora dos ruminantes.
Realismo fantástico brasileiro.

- Gustavo Corção. Lições de abismo. Agir.
Um dos dez melhores romances brasileiros, na opinião de Oswald de Andrade, na altura do seu lançamento, na década de 40.

- Clarice Lispector. A hora da estrela. Nova Fronteira.
Pungente, mostra a grandeza escondida de cada pessoa humana na figura de uma nordestina que nasceu “sem anjo da guarda”.

- Fernando Pessoa. Poesia.
Genial, contraditório, polifacético.

- Mario Quintana. Poesia.
Falecido recentemente, Mario Quintana permanece como o poeta da simplicidade complexa.

- Carlos Drummond de Andrade. Poesia.
Apesar do pessimismo auto-corrosivo que percorre a maior parte dos seus poemas é, sem dúvida, o maior poeta brasileiro.

- Adélia Prado. Poesia. Siciliano.Grande poeta do cotidiano, das coisas simples, e dos sentimentos quase insuportáveis.

- Platão/Sócrates. Diálogos.
A inteligência, o argumento, a origem da mente ocidental.

- Aristóteles. Metafísica.
Para resgatar um tempo e uma mentalidade em que a filosofia ousava.

- Agostinho de Hipona. Confissões e A vida feliz. Paulus.
Os tormentos, a culpa, o arrependimento, a alegria, as descobertas intelectuais e espirituais de um homem inesquecível e, da sua autoria, a felicidade na visão platônico-cristã.

- T.S. Eliot. Notas para uma definição de cultura. Perspectiva; e De poesia e poetas. Brasiliense.
Essas duas obras são um bom começo de conversa com o poeta norte-americano, que expõe aqui as suas opiniões de pensador e crítico literário.

- Ezra Pound. A arte da poesia. Cultrix/Edusp.
Onze ensaios sobre a poesia, que vence as forças da rotina.

- José Ortega y Gasset. A rebelião das massas. Martins Fontes.
Referencial básico para filósofos e sociólogos que estudam o século XX.

Ao final, Krueguer nos deixa um desafio: E você? Quais livros indica?

A LISTA COMPLETA DE GABRIEL PERISSÉ VOCÊ ENCONTRA AQUI

domingo, 9 de agosto de 2009

A POESIA DE SEDINEI SALES ROCHA


A história de Sedinei Sales Rocha se confunde um pouco com a história da Oficina Literária Verso e Prosa, visto que ele está entre os integrantes mais antigos do grupo, participando dos encontros desde a sua formação, em 2007.

Filho de agricultores, Rocha nasceu em Tijucas do Sul, Paraná, em 01 de setembro de 1953. Casou-se em 1979 com Teresinha de Jesus Cardoso, com quem teve seus três filhos: Regis, Flávia e Luiz Felipe.

Atualmente, bancário aposentado, dedica-se à Literatura, direcionando-se para a poesia e para a pesquisa e registro de fatos históricos relevantes. Por suas atividades e pela formação em História e Estudos Sociais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tornou-se membro do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e, também, do Centro de Letras de Campo Largo.


Entre seus livros publicados estão Expressões Poéticas I e História de Tijucas do Sul, além de textos como História de Dois Vizinhos, Tamanduá, Paranaguá Rodeado de Serras e Vida e Morte de Gumercindo Saraiva.

Entre os autores que o influenciaram na sua vontade de escrever ele cita Camões, que, nas suas palavras, "venerava quando era criança", Carlos Gomes e Olavo Bilac. Incentivaram-no, ainda, os escritos de José de Alencar, Machado de Assis ("este sobremaneira"), Cecília Meirelles e Carlos Drummond de Andrade. Entre os nomes estrangeios que o agradam estão Fernando Pessoa, Edite Fiore, Allan Kardec, Léonn Dennis e Heillen J. Garret, entre outros.



Deixamos aqui um delicioso exemplo da poesia de Sedinei:



FORMIGAS

Atacado por mil
Matei mais de duzentas.
Assassino confesso!
Em legítima defesa
Enquanto corre o processo
No juizado da consciência.
Tramitando toda a instância
Tomo, na verdade, ciência...
Que o crime foi por vingança.